A primeira revolução ocorreu quando, no fim do segundo milênio , as hordas de persas e outros povos bárbaros invadiram os territórios entre o Mar Negro, o Cáspio e o Vermelho e trouxeram em suas trouxas uma novidade: a braga (braie), uma espécie de calção curto e largo, para homens e mulheres.Vencidos no campo de batalha, os egípcios resistiram, no entanto, à novidade vestimentar. Mais tarde, os romanos ridicularizavam os gauleses transalpinos que, irredutíveis, não abriam mão das bragas tachando a região dominada de Galia Bracata.

Mas, nos primeiros séculos do novo milênio, as romanas começaram a balançar.Um mosaico da Villa Caselli, Sicília, mostra, entretanto, que as versões das bragas (que Roma chamou pomposamente de subligatus ou subligaculum) foram as banhistas, as ginastas e esportistas em geral. Estas novas versões apresentavam semelhanças impressionantes com as calcinhas modernas e mesmo os biquínis. Depois, os subligatus se democratizaram e foram adotados por romanas de todas as classes, seja na forma de de uma peça de linho com dois panos, um abaixo da cintura e outro entre as coxas, seja o modelo com mangas, sustentado por ligas .Lambidas pelo fervor do Vesúvio, estas peças revolucionárias (e suas usuárias!) foram soterradas, e só redescobertas no século XIX.
COMEÇA UMA LENDA... Até o início da Idade Média, as bragas e outras criações do vestuário bárbaro acabaram prevalecendo para ambos os sexos. No decorrer dos séculos, diversas trocas de experiência vestimentar entre os casais deram origem a formas híbridas, unissex ou transexuais, desembocando em modelos primitivos dos calções (caleçons), pantalonas (pantalons), anáguas (jupons) e outras roupas de baixo que as mulheres adotariam alguns séculos adiante.

No final da Era Medieval, Catarina de Médicis mandava importar da Itália uma nova invenção:o Vertugadin, uma armação de madeira em forma de gaiola, destinada a inflar as saias das senhoras da época.Eram as primeiras saias com armação. A moda virou coqueluche em pouco tempo, e causou enorme polêmica, pois todos entenderam que a peça dispensava o uso de roupas de baixo.Resultado: escândalo na corte francesa.Nobres bundas, coxas, ventres e virilhas expostos à menos corrente de vento, perturbavam os observadores e excitavam o imaginário popular.

Pressionada, Catarina de Médicis acabou cedendo e, num gesto moralizador que foi seguido pelo mercado, passou a usar roupas de baixo sem abrir mão da nova moda.